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Dossier: As estrias

Dossier: As estrias

Dossier de especialista

AS ESTRIAS

Um acontecimento marcante durante
a gravidez !

O aparecimento de estrias durante a gravidez é frequente (de acordo com alguns estudos, em 50 a 90% das mulheres grávidas), mas podem também surgir durante a puberdade, em caso de obesidade ou rápido emagrecimento, tratamento com base em cortisona (corticóides) ou perante determinadas doenças endócrinas.

A sua prevenção e o respectivo cuidado são das principais preocupações para muitas mulheres, visto que o seu aspecto inestético pode ter um impacto psicológico não negligenciável.

Consideradas frequentemente como “marcantes” para as futuras mamãs, as estrias podem por vezes alterar o prazer e o vivenciar da gravidez, mesmo atenuando-se durante o tempo. Esta sensação pode ser acentuada pelo facto de as estrias serem consideradas como um epifenómeno, sendo dada prioridade à vigilância médica da criança e da mãe durante a gravidez.



Este dossier foi redigido pela Drª. Ouazzani, dermatologista.
Percurso da autora
: Especialista em Dermatologia (Paris-Saint Louis), vinculada a hospitais (Hôpital Saint louis-Paris, Centre Hospitalier St Cloud), é membro da Sociedade Francesa de Dermatologia Pediátrica.
Redactora durante 20 anos para "Abstract Dermatologie", colaborou igualmente em "Objectif peau" e "Dermatologie pratique".
Quadrilingue, é correspondente em diversos congressos internacionais tal como o AAD (American Academy of Dermatology) o qual assiste todos os anos.

Sumário

Como as identificar ?

Quais os factores que as favorecem ?

As estrias, quais as anomalias cutâneas ?

Como aparecem ?

O que fazer ?

Pontos-chave

Referências Bibliográficas

Como as identificar ?

As estrias apresentam-se por um sulco ou linhas lineares inicialmente de cor vermelho arroxeado. Podem ser comparadas às áreas de cicatriz onde a pele mais fina e menos coesa, forma uma depressão.
Mais ou menos profundas, mais ou menos compridas, mais ou menos largas, mais ou menos acentuadas, são geralmente múltiplas. Estas riscas correspondem às linhas de tracção mecânica da pele, daí a sua disposição característica: paralelas às linhas de tensão cutânea e perpendiculares face à distensão (ver esquema).

A cor irá ficar mais pálida progressivamente, para se tornar na cor da pele ou mais clara, brilhante, cor pérola.

Durante a gravidez, as estrias aparecem geralmente no terceiro trimestre e localizam-se no abdomem (mais de 40%), mas coxas (25%), nos seios (25%) ou nas ancas
(20%).

H. Osman et al. Risk factors for the development of striae gravidarum. Am J Obstet Gynecol 2007 ;196(1) :62.e1-62.e5.

Quais os factores que as favorecem ?

Existem poucos estudos que tenham analisado os factores de risco de aparecimento das estrias. Contudo, diversos elementos que favorecem foram identificados como factores de risco.

No que respeita à mamã:
- a idade da mamã: nomeadamente as grávidas com menos de 25 anos estão mais sujeitas ao seu aparecimento.
- o peso:
um aumento de peso muito importante e rápido durante a gravidez,
- excesso de peso antes da gravides e/ou no final da gravidez, Índice de Massa Corporal (IMC) elevado*.
-os antecendentes: anecedentes familiares ou pessoais de estrias durante a gravidez.

… E o bebé
- peso elevado à nascença,
- nascimento tardio


*O IMC é calculado dividindo o peso em kg pela altura ao quadrado (altura x altura). Um IMC >= 25 corresponde a excesso de peso e um IMC >= 30 a obesidade.

As estrias,
quais as anomalias cutâneas ?

O processo que está na origem da estria ainda não está totalmente claro, no entanto as modificações cutâneas observadas estão bem definidas.

Durante o aparecimento das estrias, a estrutura da pele muda, as alterações cutâneas surgem.

A espessura da pele diminui. Constata-se um adelgaçar da epiderme. Na derme, as modificações do tecido conjuntivo aparecem: as fibras estão desorganizadas, as fibras de elastina estão claramente diminuídas e as fibras de colagénio estão alteradas (menos densas, mais estreitas).

E. Wetterwald. Vergetures. L. Dubertret et al. Thérapeutique Derma-tologique. Consulta disponível em www.therapeutique-dermatologique.org

O aparecimento das estrias está essencialmente associado a um estiramento rápido e violento da pele que é então submetida a uma distensão que ultrapassa as suas capacidades de elasticidade.

A associação desta forte tracção da pele a um aumento de determinadas hormonas no sangue (cortisol, estrógenos) provoca modificações cutâneas. A estrutura e as funções metabólicas dos fibroblastos são perturbadas.
As fibras de elastina e de colagénio que os mesmos produzem nas camadas profundas da pele (derme) são de menor qualidades e em menor número.
Ora, são estas fibras que desempenham um papel muito importante de suporte e de estrutura na pele. Estas fibras asseguram a resistência aos estiramentos e a elasticidade cutânea.

Durante a gravidez, estas duas condições (estiramento e modificação hormonal) estão reunidas e o contexto é portanto favorável ao aparecimento de estrias.

*Os fibroblastos os são as células que asseguram a síntese dos elementos de suporte da pele na derme (fibras de colagénio, de elastina…). Intervêm nos processos inflamatórios, cicatrização e de fibrose.

Como aparecem ?

Uma evolução em 3 etapas

1- Uma primeira fase de inflamação

A estimulação das células da pele (os fibroblastos da derme) pela distensão da pele e pelas hormonas provocam uma resposta inflamatória. Os fibroblastos vão assim “fabricar” menos colagénio.

2-A fase de degradação
As substâncias inflamatórias e as enzimas agressivas segregadas vão assim atacar e degradar a estrutura do tecido conjuntivo dérmico, principalmente as fibras de colagénio e de elastina.

3- Uma fase de reparação
Como resposta às agressões e à inflamação, a pele vai sintetizar novas fibras de suporte destinadas a substituir as que foram danificadas. No entanto, a reparação não é feita de forma idêntica: estas novas fibras são mais frágeis, mais finas, menos numerosas e menos organizadas. O tecido cicatricial mais fino vem assim substituir o tecido cutâneo inicial e formam-se micro-cicatrizes.

O que fazer ?

As estrias são semelhantes a cicatrizes. Vão atenuando-se ao longo do tempo, mas nunca irão desaparecer completamente. Contudo, um cuidado bem aplicado pode ajudar a reduzi-las.

- A importância da prevenção

A prevenção é portanto um elemento essencial a ter em conta e a antecipar !
Quanto mais precoce (desde o início da gravidez), mais será eficaz e mais satisfatórios serão os resultados. Além de que a regularidade e a persistência dos cuidados dermocosméticos, incluindo os pós-parto, são indispensáveis para um resultado óptimo.

É possível ajudar a prevenir o aparecimento das estrias ou de as atenuar graças a cuidados dermatológicos e dermocosméticos.
É necessário intervir limitando o fenómeno inflamatório e estimulando as capacidades regenerativas da pele.
Atenção, determinados tratamentos dermatológicos à base de vitamina A ácida são contra-indicados durante a gravidez e a amamentação.

A redução do factor de risco que é o excesso de peso – quando possível! – é igualmente um elemento não negligenciável na prevenção.

-O cuidado das estrias instaladas

Quando as estrias estão instaladas, os cuidados dermocosméticos tem como função ajudar a reduzir as estrias e a melhoria do seu aspecto estético. É preferível optar por produtos cuja eficácia esteja demonstrada clinicamente.

Um tratamento médico também pode ser uma opção, nomeadamente o laser. Utilizado só ou em associação com cuidados dermocosméticos, pode ser possível de obter uma redução significativa das estrias recentes (arroxeadas) ou mais antigas (brancas).
Não hesite em aconselhar-se junto do seu médico.

Em todo o caso, a protecção solar com ecrãs de elevada ou muito elevada protecção é indispensável de modo a evitar uma pigmentação irreversível, agravando o prognóstico estético…

Pontos-chave

• Distensão cutânea importante e rápida
• Modificações hormonais

• Factores de risco associados
(a idade da grávida, o aumento de peso importante e rápido durante a gravidez, antecedentes familiares de estrias, peso elevado do bebé à nascença, nascimento tardio)

• Inflamação e degradação dos tecidos de suporte cutâneos
(fibras de elastina e de colagénio)
Aparecimento de tecido cicatricial
ESTRIAS

• Necessidade de uma prevenção precoce
Redução dos factores de risco (peso) se possível
e cuidados cutâneos locais

Referências bibliográficas

• M. Tunzi e al. Common Skin conditions during pregnancy. Am Fam Phys 2007 ;75(2) :211-18.
• R. Kumari, T.J. Jaisankar, D.M. Thappa. A clinical study of skin changes during pregnancy. Indian J Dermatol Venereol Leprol 2007 ;73(2) : 141.
• A. Ghasemi e al. Striae gravidarum : associated factors. J. Eur. Acad. Dermatol. Venereol. 2007 ;21(6) :743-6.
• A.L. Chang e al. Risks factors associated with striae gravidarum. J. Am. Acad. Dermatol. 2004 ;51(6) :881-5.
• G.S. Atwal e al. Striae gravidarum in primiparae. Br J. Dermatol 2006 ;155(5) : 965-9.
• S. Sellier e al. Facteurs de risques des vergetures de la grossesse. Ann. Dermatol. Venereol 2005 ;132(HS3) :29-30.
• H. Osman e al. Risk factors for the development of striae gravidarum. Am. J. Obstet. Gynecol. 2007 ;196(1) :62.e1-62.e5.

Sentido da distensão

Linhas de tensão cutânea

Direcção de distensão

Linhas de tensão cutânea


DDA